Menino mordido por tubarão na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes (PE) tem perna amputada
Menino mordido por tubarão na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes (PE) tem perna amputada
O menino João Lucas Castor Nemesio Sales, de 11 anos, que foi mordido por um tubarão-cabeça-chata na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife (RMR), na tarde do domingo (31), teve a perna esquerda amputada.
A informação foi repassada pelo diretor-geral do Hospital da Restauração (HR), o médico cirurgião Petrus Andrade Lima, nesta segunda-feira (1º), em coletiva de imprensa na unidade de saúde onde o menino está internado desde o incidente.
Apesar da gravidade dos ferimentos, segundo Petrus Andrade Lima, João apresenta sinais de evolução clínica e “já superou a fase mais crítica do quadro”. Ele permanece na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTI) do hospital. Uma campanha pede doação de sangue para o menino.
De acordo com o cirurgião, o menino chegou ao HR em estado extremamente grave, já intubado e recebendo transfusão sanguínea. Devido à urgência da situação, ele foi encaminhado imediatamente ao centro cirúrgico.
“Da admissão na emergência ao bloco cirúrgico foram apenas alguns minutos. Ele chegou em choque hemorrágico grau quatro, que é um choque hemorrágico profundo”, explicou.
O médico relatou que a mordida do animal provocou uma extensa destruição dos tecidos da perna esquerda, atingindo toda a musculatura e lesionando grandes vasos sanguíneos, o que resultou em perda maciça de sangue.
“A lesão retirou toda a musculatura da perna e lesou as grandes veias. Ele perdeu praticamente todo o sangue do corpo”, afirmou.
Devido à gravidade da lesão, a equipe médica precisou amputar o membro inferior esquerdo, já que os danos provocados pelo ataque impossibilitavam a recuperação da perna. O adolescente também sofreu uma fratura na mão esquerda, que foi tratada cirurgicamente.
Petrus informou ainda que o paciente continua em ventilação mecânica, mas já apresenta movimentos espontâneos. A expectativa é reduzir gradativamente a sedação ainda nesta segunda-feira (1º), para avaliar a possibilidade de retirada do suporte respiratório.
“Ele continua grave, porém estável. Já saiu daquele período mais grave relacionado à hemorragia. Está se mexendo e a proposta é retirarmos a sedação. Se ele acordar bem, poderemos suspender a ventilação mecânica”, destacou.
Apesar da evolução, os médicos alertam para o risco de infecção, comum em ferimentos provocados por mordeduras de animais. Segundo o diretor do HR, a extensão da lesão exige acompanhamento contínuo e tratamento prolongado.
“É uma ferida muito extensa. Toda lesão decorrente de mordedura animal apresenta alta chance de infecção. Estamos realizando a profilaxia necessária, mas essa possibilidade ainda existe”, explicou. (Foto: Matheus Ribeiro).



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