Glória Menezes morre aos 91 anos e deixa legado de mais de seis décadas na televisão brasileira
Glória Menezes morre aos 91 anos e deixa legado de mais de seis décadas na televisão brasileira
Morreu nesta terça-feira (18), aos 91 anos, a atriz Glória Menezes, um dos grandes nomes da história da televisão, do teatro e do cinema brasileiro. Segundo informações da família, a artista morreu em sua casa, no Rio de Janeiro.
Com mais de 60 anos de carreira, Glória Menezes construiu uma trajetória marcada por personagens memoráveis e pela contribuição para a consolidação da teledramaturgia brasileira. Ao lado do ator Tarcísio Meira, com quem foi casada por 59 anos, formou um dos casais mais conhecidos e admirados da televisão nacional.
Nascida em Pelotas (RS), em 1934, Nilcedes Soares Guimarães mudou-se ainda criança com a família para São Paulo. Na juventude, estudou piano e posteriormente ingressou na Escola de Arte Dramática. Antes mesmo de concluir o curso, começou a atuar profissionalmente e, em 1959, recebeu seu primeiro prêmio como atriz revelação pela participação na peça “Devoção à Cruz”, dirigida por Antunes Filho.
No mesmo período, iniciou sua trajetória na televisão, participando de teleteatros da TV Tupi e de sua primeira novela, “Um Lugar ao Sol”, exibida pela TV Excelsior.
Foi também no início da carreira que adotou o nome artístico Glória Menezes. No teatro, destacou-se em “As Feiticeiras de Salém”, de Arthur Miller, papel que lhe rendeu reconhecimento da crítica.
No cinema, um de seus trabalhos mais importantes foi “O Pagador de Promessas”, de 1962, dirigido por Anselmo Duarte. O filme venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes e recebeu indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
A carreira na televisão ganhou ainda mais projeção em 1963, quando Glória protagonizou “2-5499 Ocupado”, considerada a primeira telenovela diária do país. A atuação lhe rendeu o Troféu Imprensa de Melhor Atriz em 1964.
Uma parceria que marcou a televisão
Glória Menezes e Tarcísio Meira se conheceram em 1961, nos bastidores do teleteatro da TV Tupi. O relacionamento se transformou em casamento em 1964 e também em uma das mais marcantes parcerias artísticas da televisão brasileira.
Os dois atuaram juntos em produções como “Sangue e Areia”, “Rosa Rebelde”, “Irmãos Coragem”, “Espelho Mágico”, “Guerra dos Sexos”, “Tarcísio & Glória”, “Páginas da Vida” e “A Favorita”, entre outras.
Em “Irmãos Coragem”, Glória interpretou Lara, personagem que apresentava três personalidades diferentes, em uma atuação que se tornou um dos destaques da novela.
Mesmo sem Tarcísio Meira no elenco, a atriz também protagonizou trabalhos de grande repercussão. Entre eles estão “Brega & Chique”, de 1987, e “Rainha da Sucata”, de 1990, na qual interpretou a inesquecível Laurinha Figueroa.
Teatro, cinema e últimos trabalhos
Glória Menezes também se destacou por aceitar personagens que exigiam grandes transformações. Em “Jóia Rara”, interpretou uma monja tibetana e raspou os cabelos para o papel. Também realizou trabalhos no teatro, incluindo “Jornada de um Poema” e, posteriormente, “Ensina-Me a Viver”.
No cinema, voltou a atuar em 2006, depois de cerca de duas décadas afastada das telas, com participação em “Se Eu Fosse Você...”, dirigido por Daniel Filho.
Um de seus últimos personagens de destaque foi Stelinha, na novela “Totalmente Demais”, exibida entre 2015 e 2016.
Nos anos seguintes, fez participações pontuais em programas de televisão e recebeu homenagens por sua trajetória artística. Em 2025, foi homenageada no programa “Tributo”, que relembrou momentos importantes de sua carreira.
Glória Menezes era mãe de Maria Amélia, João Paulo e Tarcísio Filho. Este último, filho de seu casamento com Tarcísio Meira, também seguiu carreira como ator.
A morte de Glória Menezes encerra a trajetória de uma artista que atravessou diferentes fases da televisão brasileira e ajudou a construir a história da dramaturgia no país. Seu trabalho permanece registrado em dezenas de personagens, novelas, peças e filmes que marcaram gerações.



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